Segundo o proprio Talmud, literatura de uso da religião judaica a versão da Torá utilizada pelos judeus nao foi escrita por Moshe, mas sim reescrita por Ezrah e outros escribas quando o Reino desfeito de Judá voltou do exilio babilonico.

Um fato pouco divulgado, é que Ezrah introduziu muitas mudanças ao texto da Torá ao copiar do hebraico arcaico para o hebraico quadrático Assirio.

Sim… é isso mesmo…

Enquanto a literatura judaica mente ao afirmar que Samaritanos teriam se misturado com o povo Assirio durante um período de exílio na Assíria.

A verdade é que Israelitas Samaritanos permaneceram em Israel, sem nunca ter saído dali.

Mas o que quero compartilhar com vocês, é que Ezrah, sem nenhuma justificativa, produziu uma nova “versão da Torá“!

Para isso ele usou outros caracteres… sim… ele copiou a Torá escrita originalmente no hebraico antigo e escreveu uma nova Torá usando caracteres assurit (ktav assurit) popularmente conhecida hoje como hebraico moderno, o hebraico quadrático!

Ao fazer essa “versão da Torá” , Ezrah, um escriba do período de 450 antes da era comum, introduziu a mudança dos carácteres para os caracteres do hebraico Assirio, ele simplesmente introduziu supostas “correções”.

Rabinos no Talmud Sanedrin no capítulo 22, discutem estes assunto.

A prerrogativa judaica que considera a Torá como uma “Torá inviolável e do céu” (ou seja, de origem divina).

Diante disso, qualquer pessoa neo pleno uso de seu raciocínio é forçado a questionar:

Com que autoridade Ezrah mudou os caracteres da Torá?

Por exemplo:

Se fossemos sugerir hoje que a Torá fosse reescrita na escrita latina a sugestão seria instantaneamente condenada, e qualquer sábio ou rabino consideraria esse ato como um grande sacrilégio.

A justificativa infundada, utilizada no judaísmo para as mudanças que Ezrah e os escribas fizeram ao trocar os caracteres das letras da Torá, abandonando os caracteres do hebraico original para fazer uso do hebraico quadrático Assirio,  era de que as pessoas que compunham o povo em Eretz Yisrael não conseguiria mais ler o roteiro original.

Entretanto isso não é verdade.

Afinal apenas 2 tribos e meia que compunham o reino de Judá ao sul de Israel é que receberam o severo castigo divino sendo levadas ao exílio babilônico.

As outras 10 tribos e meia que não foram ao exílio babilônico continuaram a usar o hebraico antigo na Torá!

A maior prova disso é a existência dos Israelitas Samaritanos que escrevem e leem até os dias de hoje a Torá no hebraico original.

A explicação rabínica

Há também a explicação “mistica” de que no Monte Sinai, e que o Criador pretendia que a Torá fosse escrita com os mesmos caracteres e deveria ser usada e preservada até os dias de hoje!

Ou seja, não com caracteres quadráticos, mas sim no aramaico, e que no entanto, após o pecado do “bezerro de ouro” o Criador teria “mudado” esta intenção como uma punição, e por isso os caracteres teriam sido por Ele trocados.

Não há qualquer razão lógica para confirmar isso!

Isso não tem entretanto qualquer fundamento histórico.

Trata-se das explicações dadas na doutrina judaica para justificar essas alterações.

Sabemos que a Revelação no Sinai ocorreu por volta de 1300 antes da era comum.

Sabemos que os caracteres usados até esse período no uso geral por muitas nações era o Ktav Ivri ou seja, o hebraico samaritano.

O Ktav Ivri ainda é usado hoje em dia pelos Israelitas Samaritanos para escrever na escrita da Torá.

Dados históricos

O mais antigo documento conhecido utilizando os caracteres quadráticos aramaico é datado por volta de 515 antes da era comum, cerca de 65 anos antes de Ezrah (450 antes da era comum).

O primeiro uso conhecido da língua aramaica com caracteres quadráticos é cerca de 800 antes da era comum.

Até mesmo Saul, o primeiro rei de Israel (cerca de 1000 antes da era comum) recebeu a Torah com caracteres ‘Ktav Ivri’.

Israel com suas 12 tribos tem muitas historias a contar…

Veja por exemplo as tribos do Reino do Norte de Israel, com os Israelitas Samaritanos.

Em sua história, mesmo com o decorrer de muitos anos, preservaram o idioma e a forma de se escrever o hebraico, língua e escrita sagrada, o Hebraico Antigo denominado (k’tav Ivrit).

Mas…. o que realmente aconteceu com nossos amados e queridos irmãos Israelitas judeus?

Simples, eles apenas NÃO preservaram a língua e a escrita sagrada, o hebraico antigo.

O reino de Judá foi levado cativo a BABILÔNIA, e ao retornar se empenharam em utilizar a escrita Aramaica Babilônica, o k’tav Ashurim.

Ali eles substituíram a língua e a escrita antiga.

Com a substituição do Hebraico Antigo (k’tav Ivrit ) para o Hebraico-Aramaico Babilônico, (k’tav Ashurim), o sentido da literatura judaica ganhou uma outra conotação, usando outros caracteres no idioma.

Ezrah curiosamente copiou o conteúdo da Torah, adicionando e subtraindo textos, resultando na TORAH JUDAICA utilizando o K’tav Ashurim, abandonando assim os caracteres originais com que a Torá fora originalmente escrita, ou seja, o hebraico arcaico ou seja, o ktav ivrit.

Qual a justificativa para tal mudança?

Os textos judaicos apontam ter sido o pecado do bezerro de ouro o grande culpado…

Sinceramente… o que uma coisa tem a ver com a outra?

É preciso ter em mente que Ezrah não copiou literalmente a Torá de um tipo de letra para outra… não… os próprios textos judaicos registram que ele fez ajustes na Torá!

Alterações em frases e mudanças de letras em diversas palavras…

Somando mais de 660 alterações reconhecidas entre os especialistas.

E se comparar a Torá Judaica com a Torá Samaritana, encontraremos mais de 6 mil diferenças textuais significativas!

A Torá judaica deveria ser reconhecida como uma versão da Torá…

E na melhor das hipóteses, não deveria ser chamada de “A Torá de Moshe”…

Mas sim… “A Torá de Ezrah”!

Pergunto… que autoridade tinha ele para alterar ou melhorar a Torá?

Se a Torá foi escrita por Moshe… por que mexer em seu texto?

Porque adulterar seus santos mandamentos?

Lamento muito que isso historicamente tenha acontecido!

Colocar a culpa no bezerro de ouro para justificar a criação de uma nova Torá, usando novos caracteres é se valer de uma desculpa muito esfarrapada.

Nesse caso, usaram o bezerro de ouro, como “bode expiatório”!

Existe muito sobre esse assunto a ser discutido e revelado.

Ezra Ben Seraiá em muito colaborou na formação de novas práticas religiosas aos judeus que retornavam do cativeiro babilônico para Jerusalém.

Ele também inventou novas leis concernentes à escrita e leitura da Torá.

Sem qualquer justificativa lógica, ele simplesmente introduziu o uso dos caracteres assírios ou quadrados na confecção da Torá, ou seja, passou a utilizar a famosa escrita “ktav Assurit” que hoje são usados pelos judeus.

Da época de Mooshe os pergaminhos de Torá eram escritos com o alfabeto hebraico antigo, o Ktav Ivrit, mas, Ezra abandona a escrita original e estabelece o uso de outro alfabeto na Torá, ele fez isso na verdade por que o povo judeu estava assimilado a outra cultura e idioma, e também como uma aparentemente medida polêmica contra os samaritanos, isso está escrito no Talmud no tratado de Sanhedrin 21b.

Não bastasse as alterações feitas na Torá, Ezra foi um inventor de novos ritos para os judeus!

Sim, ele simplesmente inventou práticas que por fim foram adotadas e que até hoje são usadas como práticas religiosas, mas que na verdade são práticas criadas por sua mente!

Vejamos algumas delas…

Os ritos inventados por Ezra

  • Ezra ordenou que três homens, um Cohen, um Levi e outro Israel deveriam ler dez versículos da Torá, da Parashá da semana, no segundo e quinto dias da semana durante o Shacharit ou seja, o serviço matutino da semana e durante a tarde em Minchá ou seja, o serviço vespertino de Shabat.
  • Ezra ordenou que os Tribunais Rabínicos (Beit-Din) estivessem em sessão às segundas e quintas-feiras.
  • Ezra ordenou que a mulher levantasse cedo para fazer a Chalá (pão usado no shabat) outros, isso bem cedinho para assim ter o resto do dia livre para os demais preparativos do Shabat;
  • Outra medida sem qualquer justificativa lógica foi a imposição de Ezra de que as mulheres deveriam usar um cinto, como forma de decência.
  • Outro absurdo também inventado por Ezra foi ele determinar que as mulheres deveriam se banhar antes de imergirem na Mikve (Banho ritual).

Afinal o banho ritual já é em si um banho!

Se demonstra incoerente a ideia da mulher ter que se submeter a primeiro tomar um banho em casa para depois ir tomar novamente um banho!

Talvez no pensamento de Ezra a mulher fosse um “ser imundo”.

O desprezo para com a mulher fica visível ao comparar o tratamento dispensado aos homens, onde ele também ordena apenas um único banho simples na Mikve antes do Shabat e das Festas e quando tivessem relações maritais, mas para a mulher, ela teria primeiro um banho em sua casa e depois outro banho no mikve!

Isso tudo está descrito no Talmud no Tratado de Bava Ḳama 82a,

Os poucos sacerdotes que sobraram do período que viviam junto ao reino de Judá, se submetiam a seus desmandos.

Assim Ezra criativamente determina aos Cohanim da geração seguinte o que “ele imaginou ser” a pronúncia correta do Nome Divino (Shem HaMeforash) com todas as permutações dele, que o Cohen Gadol deveria verbalizar durante seu ofício em Yom Kipur, para que fosse realizado isso no Templo e pedra construído por Sholomo.

Shemhamphorasch é o conjunto dos 72 nomes divinos,de 3 letras cada, formados a partir do desdobramento do “Tetragrammaton”  YHVH em 72 partes.

Estes nomes são derivados dos versículos 19, 20 e 21 do Capítulo 14 do Exodo.

Em sua original escrita hebraica, cada um destes versículos possui 72 letras.

Para obter-se os 72 Nomes, escreve-se estes três versículos um sobre o outro, sendo o versículo 19 da direita para a esquerda, o versículo 20 da esquerda para direita, e o versículo 21 da direita para a esquerda.

Cada uma das 3 letras que compõem um nome é retirada de cada um dos versículos.

Assim, o Shem Ha-Mephorash também é chamado de o Nome Dividido.

Isso está descrito no Talmud no tratado Yomá 69b.

Ezrah também estabeleceu o ofício e procedimento da proclamação da Lua Nova, abandonando assim a autoridade que era do Sumo Sacerdote em determinar o início do novo mês hebraico (Rosh Chodesh) e as Festas, isso também está definido no Talmud no tratado de Betzá 6a, e é visto nos comentários do Rashi.

Ao invés de retornar a um governo regido pelo sacerdócio, Ezra o Escriba levou os judeus a se afastarem mais ainda do sacerdócio Aronico ao estabelecer os “Anshêi Knesset HaGuedolá

O chamado “Anshêi Knesset HaGuedolá“, ou seja, “Os Homens da Grande Assembléia”, seriam um grupo de 120 líderes do povo Judeu na época, parte deles ficariam em Jerusalém e outra parte estranhamente fora de Israel, em Shushan, a capital do Reino Persa.

Uma prova de que Ezra havia somente trocado as letras da Torá do ktav Ivrit para o Ktav Assurit, mas também havia assimilado de forma tão veemente a cultura de outro povo, que estabelece ali uma parte do grupo de lideres que seriam a nova “autoridade” sob o povo judeu!

Ezra realmente assimilou a cultura de outro povo e a implantou junto aos judeus de sua época!

Ele foi o “criador” do embrião do SANHEDRIN– o Sinédrio, que visava substituir a autoridade verdadeira de Israel que é o Sacerdócio Arônico!

O Sanhedrin se tornaria uma corte jurídica usada posteriormente pelos judeus em alguns períodos, mas o tempo provou ser este um modelo obsoleto, não obtendo sucesso em termos práticos em Israel.