Lição nº 15 – Os Israelitas Samaritanos no período islâmico tardio e o tempo das cruzadas

Esta lição descreve a história dos Israelitas Samaritanos no período islâmico tardio e sob as Cruzadas na Terra de Israel, nos séculos 11 a 13.

Enquanto que fora da Terra de Israel ainda nos países do Mediterrâneo eram comunidades samaritanas principalmente no Egito, no Líbano e na Síria, a vida dos samaritanos israelitas no período islâmico tardio e as Cruzadas sobre a Terra de Israel estava muito triste e deteriorada.

Parecia que sob as Cruzadas a pressão religiosa e social era um pouco mais leve, mas a confiscação das sinagogas samaritanas continuava na época das Cruzadas.

Muitos samaritanos foram convertidos a força ao islamismo e ao cristianismo, muitos foram mortos durante invasões de diferentes tribos árabes, Echshides e Mongols.

Aos Israelitas Samaritanos não foi dado tempo de descanso, foi destruição seguido de destruição.

O nascimento Cultural

No Norte no Líbano e na Síria e no distrito de Ramleh, no meio da Terra de Israel, acabou florescendo uma nova literatura samaritana, no Líbano e na Síria a atividade cultural do sábio Ab Hisda ElSuri e seus parentes foi muito proeminente no comentário, a gramática do antigo hebraico e as contíguas das tradições especiais.

Abraham Ab-Marhib Ban Marute com seus trabalhos sobre gramática e tradições

As obras de Sadaqa ElHakim e seu filho Munaja em comentários e as diferenças entre as tradições samaritanas e judaicas.

Yusef b. Shalma de Ashqelon, que escreveu um trabalho importante sobre a prática dos mandamentos.

A proeminente família de escribas de Sarphata, perto de Ramleh, em belas resenhas e comentários e os poetas Aarron Ban Manir e Ab-Gilluga de Damasco.

Essas personalidades e outros incentivaram a cultura samaritana apesar dos problemas políticos.

Benyamim Tsedaka.

Tradução livre
Ariel Haddad Ben Abraahm

Façamos o homem…

Afinal, o que significa realmente a palavra Elowweem ?

Vemos na Torá:

Bereshit(Gên) 1:1

    בְּרֵאשִׁ֖ית בָּרָ֣א אֱלֹהִ֑ים אֵ֥ת הַשָּׁמַ֖יִם וְאֵ֥ת הָאָֽרֶץ׃

Bereshit bara Elowweem et hashamayim veet haarets.

1- No princípio criou Elowweem o céu e a terra.

Muito interessante notar o termo que utilizado designar o Criador seja “Elowweem” em hebraico.

Na Torá Samaritana, como também em em todas as outras “versões” da Torá conhecidas utilizam a mesma palavra.

Podemos ver até mesmo na Torá no Códice de Leningrado, a palavra  אֱלֹהִ֑ים , “Elowweem“.

Portanto é preciso conhecer mais a palavra Elowweem.

Elowweem é um substantivo que se refere ao Criador, largamente utilizado tanto em textos da língua hebraica moderna como também no hebraico antigo.

Elowweem  אלהים é o plural da palavra Eloah אלוה  um plural majestático pluralis majestatis.

Também conhecido como um plural de excelência pluralis excellentiæ que expressa grande dignidade, e pode ser traduzido por “Elevadíssimo” ou “Altíssimo”.

Mas traduzir isso como “plural” significa admitir que a tradução “deuses” corresponderia não a um deus único, mas vários deuses.

E admitir isso é admitir o politeísmo.

A ideia de “deuses” para Elowweem é negada por toda a Torá!

Pois o critério linguístico a essa palavra nega o politeísmo.

Esta palavra se refere ao Deus de Israel, e ela aparece mais de 2 mil vezes nas escrituras!

E é incrível que, em apenas 4 palavras o termo que acompanha a palavra esteja também no plural.

Em todas as outras milhares de vezes, tanto os verbos, os pronomes e os adjetivos estão no singular.

Vamos agora mergulhar no primeiro livro da Torá:

BERESHIT

Bereshit(Gn) 1.1

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים

(Breshit bará Elowweem).

Bará” (בָּרָא) é o verbo CRIAR e está na 3ª pessoa do singular, CRIOU.

A afirmação que o Elowweem que fez o céu e a terra é Shehmaa.

E é também visto em Bereshit(Gn) 2:4

בְּיֹום עֲשֹׂות יְהוָה אֱלֹהִים אֶרֶץ וְשָׁמָיִם

4- no dia em que Shehmaa Elowweem fez a terra e os céus.

Uma vez aplicado o verbo singular “FEZ” confirmando o entendimento que Shehmaa é um e não mais que isto.

Vejamos o texto áureo da Torá.

Devarim(Dt) 6.4

4 -Ouve, Israel, Shehmaa nosso Elowweem, Shehmaa é UM.

Aqui Shehmaa não é “um dos nossos Elowweem”…

Mas sim, o “nosso Elowweem”!

O texto no original está simplesmente “יְהוָה אֶחָד” (Shehmaa echad). אֶחָד (echad) é uma palavra hebraica para o cardinal UM.

A palavra Elowweem aplicada ao Deus Eterno tem sentido singular é também confirmada em outro importante texto.

Bereshit(Gn) 35.11

וַיֹּאמֶר לֹו אֱלֹהִים אֲנִי אֵל שַׁדַּי

vayyo’mer lo Elowweem aniy êl shadday

“E disse Elowweem: Eu sou El Todo-Poderoso”.

Este verso mostra que Elowweem (um plural) tem significado de EL (um singular) quando se refere ao Altíssimo.

Hebraico Bíblico não tem uma forma particular, e tão abrangente de formar o GRAU SUPERLATIVO, que “ocorre quando a qualidade de um ser é intensificada em relação a um conjunto de seres“.

Vamos comparar:

humilde humílimo
jovem juveníssimo
livre libérrimo
magnífico magnificentíssimo

Como o Hebraico não utiliza sufixos como no exemplo de magnífico para magnificent+“íssimo“.

o Hebraico portanto tem outras características usadas para designar um ser.

O PLURAL MAJESTÁTICO.

Veja o que Jeff Benner escreveu sobre esse assunto no seu Ancient Hebrew Lexicon of the Bible: 

A Gramática Gesenius também explica o plural qualitativo:

De forma nenhuma o plural é usado em Hebraico somente para expressar um número de indivíduos ou objetos separados, mas também os denota coletivamente…

  • um foco mais ou menos  intensivo das características inerentes as famílias de palavras plurais abstratos…
  • the pluralis excellentiae or pluralis maiestatis.

Além disso, o termo Elowweem foi aplicado na Bíblia para outros personagens de forma a descrever e acentuar a qualidade de suas funções.

Vejamos o emprego da palavra Elowweem  com Mooshe:

Shemot(Êx) 7:1

Então disse o Shehmaa a Mooshe: Eis que te tenho posto por deus (Elowweem) sobre Faraó.

    וַיֹּ֤אמֶר יְהוָה֙ אֶל־מֹשֶׁ֔ה רְאֵ֛ה נְתַתִּ֥יךָ אֱלֹהִ֖ים לְפַרְעֹ֑ה

Vaiomer Shehmaa el Mooshe reeh netaticha elohim lepharô

Vejamos agora o emprego da palavra Elowweem  para Juízes:

Então seu senhor o levará aos juízes (Elowweem), e o fará chegar à porta Shemot(Êx) 21:6

  וְהִגִּישֹׁ֤ו אֲדֹנָיו֙ אֶל־הָ֣אֱלֹהִ֔ים וְהִגִּישֹׁו֙ אֶל־הַדֶּ֔לֶת

Vachigishô adonav el haElowweem vechigishô el hadelet

Não se pode ignorar o que o verbo de Bereshit(Gên) 1:1 é בָּרָ֣א “Bará” ou seja, “Criou”, e ele está no singular, na 3ª pessoa do masculino, que significa simplesmente – Ele e não “eles“.

Então no entendimento do uso da palavra Elowweem, passamos a compreender que:

Elowweem é uma palavra que expressa a ideia de “qualitativo” e pode ser substituído, em tese, por um pronome singular para acompanhar o verbo que está conjugado no singular.

A pluralidade em Elowweem só surge no inicio do Cristianismo, que

politeísmo
politeísmo

só defendeu a natureza divina de Jesus, nos concílios do primeiro séculos da era cristã que decretou isso como sua doutrina.

A palavra Elowweem não expressa “politeísmo” na Torá.

Ela é usada também a demônios Devarim(Dt) 32.17 e até mesmo homens Shemot(Ex)4.16, e sabemos que nem um nem outro são seres pluralizados ou coletivos.

Outro detalhe importante sobre a palavra אֱלֹהִים “Elowweem” dentro da Torá é sempre traduzida pela palavra “Elowweem”, ou seja, uma palavra singular e não pelo seu equivalente imediato, esta palavra é associada sempre a um único ser ou ente, e não a um plural ou a uma pluralidade, mas a um ser singular, único.

A palavra “Elowweem” não é um termo exclusivo ao Eterno, somente isso já elimina a ideia plural aplicada a um único ente ou ser.

Muitos buscam em Bereshit(Gn) 1:26, Bereshit(Gn) 3:22, Bereshit(Gn) 11:7, como provas de que Elowweem de que realmente seria plural para varias pessoas na Deidade.

Mas existem penas 4 ocorrências dentre as mais de 2 mil aparições dessa palavra tanto na Torá como em toda a literatura do Canon na bíblia hebraica!

E somente 4 vezes são apresentados como plurais.

Há quem ache 10 plurais, mas destes outros 6 não teriam sido vertidos para nossa língua.

Importante

Ao tratar este assunto é preciso admitir que existem 4 raros usos a palavra “Elowweem” como “plurais”

Portanto não se pode sair aplicando o conceito de 4 palavras a todas  outras 2 mil vezes que ocorre a palavra “Elowweem” em textos da Torá e da literatura hebraicas (tanach)!

Não se pode generalizar o uso dela no sentido ‘plural’.

Vejamos apenas alguns exemplos e o que eles significam.

Bereshit(Gn) 3:22-24

“Então disse Shehmaa Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente … E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.”

Agora compare com esse outro texto onde a mesma palavra aparece na literatura judaica do período babilônico.

Esdras 7:21-24

“E por mim mesmo, o rei Artaxerxes, se decreta a todos os tesoureiros que estão dalém do rio que tudo quanto vos pedir o sacerdote Esdras, escriba da lei do Deus dos céus, prontamente se faça … Também vos fazemos saber acerca de todos os sacerdotes e levitas, cantores, porteiros, servidores do templo e ministros desta casa de Deus, que não será lícito impor-lhes, nem tributo, nem contribuição, nem renda.”

O termo “um de nós” usado em Bereshit(Gn) 3, e mais à frente, na mesma narrativa, encontramos “pôs” ao invés de “puseram”, analogamente em Esdras há expressão semelhante, mostrando que essa não é uma construção de indicativo de pluralidade em um único ser, como se costuma requerer.

O rei Artaxerxes disse “E por mim mesmo … vos fazemos”, no entanto, ele não era mais de UM homem.

Também podemos ver em Bereshit(Gn) 1:26

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”

Mas Bereshit(Gn) 1:26 não mostra qualquer pluralidade do ente falante quando usou o plural em suas expressões.

Quando falamos de nós mesmos, usamos tanto o “eu” como também  o “nós”, e essa forma de expressão também não é estranha à Bíblia.

Existem nas escrituras hebraicas, milhares de ocorrências com o uso de Elowweem, se referindo ao Criador expressando a ideia de que o Eterno é Único e Um Só, e não um ser composto ou plural!

Portanto afirmar que o Criador é plural (ou trindade) através de Bereshit(Gn) 1:26 apenas demonstra o total desconhecimento do idioma hebraico e suas regras linguísticas.

“O doutor William Smith da Universidade de Londres, a um século atrás, foi reconhecido como o ‘mais eminente lexicógrafo do mundo de língua Inglesa’. – “A Dictionary of the Bible” Philadelphia: American B.Publication Society, 1863, pág.. 216

Interessante observar a afirmação feita em um Dicionário Bíblico que o doutor Smith editou:

“A forma plural Elowweem tem dado origem à muita discussão.

A ideia fantasiosa de que refere-se à trindade de pessoas na Divindade, dificilmente encontra agora algum partidário entre eruditos.

Ou é o que os gramáticos chamam “plural de majestade” ou então denota a plenitude da força divina, a soma de poderes revelados por Deus”

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Pentateuco Samaritano do início do século XII

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[tabtext] Pentateuco Samaritano (MS Add.1846)[/tabtext]
[tabtext] Página 53r [/tabtext]
[tabtext]Página 103r[/tabtext]
[tabtext]Página 188v[/tabtext]
[tabtext]Página 137v[/tabtext]
[tabtext]Página 147r[/tabtext]
[tabtext]Informações[/tabtext]
[tabtext]O livro[/tabtext]
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O Pentateuco Samaritano contém o texto da Torá, os cinco primeiros livros da Bíblia hebraica, escritos na escrita
consonantal samaritana, um desenvolvimento a partir da escrita Paleo-hebraico. Add.1846 acredita-se ser o manuscrito existente mais antigo do Pentateuco Samaritano da era comum no início do século XII. Epígrafes e comentários gramaticais no samaritano Hebraico / aramaico e árabe seguem ao final de cada livro bíblico. Eles foram escritos por várias mãos. Também a cópia do próprio livro é um produto de cinco mãos diferentes. Veja nas demais guias apresentaremos algumas características notáveis ​​deste manuscrito.

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53r
Página 53r: Uma epígrafe no final do livro de Gênesis afirma que o códice foi de propriedade (e restaurado) por Mešalma b. Abi Beraḵata, c. 1275, cuja filha vendeu o manuscrito no 14 º c.

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103r
Página 103r: Uma epígrafe no final do livro do Êxodo registra a compra do códice por Miṯpaṣia b. Meṯuḥia de seu irmão por 25 shekels, no ano 5752 do Êxodo, 544 da regra de Ishmael = 1149-50 CE.

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188v
Página 188v: Um scholium marginal no final do livro de Números sugere pouco convincente que este manuscrito foi salvo do fogo no tempo do Rei de Babilônia, na presença de Zorobabel, o judeu (daí, Codex Zurbil).

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137v
Página 137v: Uma epígrafe no final do livro de Levítico explica como este manuscrito foi salvo de um incêndio que estourou em um armazém manuscrito (um Samaritan Genizah?) Em 1201 CE.

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bencao
Página 147r: Há uma mancha de gordura marcada em f. 147r, onde os adoradores beijaram a Bênção Sacerdotal, Números 6: 24-26.

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Informação sobre este documento

Localização: Cambridge University Library
Classmark: MS Add.1846
Título (s) alternativo (s): The Burnt Codex; Codex Zurbil
Assunto (s): Manuscritos, Samaritano
Lugar de Origem: Nablus
Data da Criação: Escrito c. 1100 (até 1149 CE).
Idioma (s): Hebraico (samaritano)
Extensão: 227 ff. Altura da folha: 270 mm, largura: 210 mm.
Material: Vellum
Formato: Códice

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Condição: O livro apresenta alguns pequenos buracos; Margens cortadas; Coloração ocasional; Algumas folhas mal desbotadas e / ou esfregadas;
LivroVárias folhas perdidas no início e no fim, algumas sendo substituídas por folhas em uma mão diferente. Neste livro o início do livro de Gênesis (até 1:28) e o fim de Deuteronômio (após 33: 1) estão perdidos. Alguns textos apagados e algumas correções. Pricked em margens exteriores; Governado Foliadas, mas algumas folhas têm uma foliação alternativa.

Proveniência: Adquirida em 1895; Examinado anteriormente em Jerusalém (1864). Escrito c. 1100 (o mais tardar até 1149 CE), provavelmente em Nablus.

Autor (es) do registro: Ben Outhwaite
Bibliografia: Descrições do manuscrito

Girón Blanc, Luis-Fernando, Pentateuco hebreo-samaritano: Gênesis: edição crítica sobre a base de manuscritos inéditos, Textos e estudos Cardenal Cisneros vol. 15 (Madrid: Conselho Superior de Investigações Científicas, 1976).

O conteúdo do livro está disponível integralmente em : http://cudl.lib.cam.ac.uk/view/MS-ADD-01846/17

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