Portas fechadas aos anussim

A questão do destino dos descendentes de anussim/criptojudeus também chamados de marranos.

Recordo de haver conversado até mesmo com um “popular” rabino de São Paulo sobre o destino dos descendentes de anussim/criptojudeus também chamados de marranos.

Recordo que comentei a ele sobre a existência do Beit Din no Rio de Janeiro e que homens como o Rabino Pinto da ortodoxia de SP e também ao rabino Yakov Israel Blumenfeld fé o atual Rabino-Chefe do Rio de Janeiro do Judaísmo Ortodoxo poderiam efetivamente realizar algo nessa direção de solucionar esse problema.

Recordo que falei a a ele que para ele cumprir seu discurso de ajudar os brasileiros descendentes de anussim, marranos e cripto-judeus como ele insistentemente apregoava e ainda apregoa, ele teria de fazer muito mais do que ficar “pregando judaísmo” pela internet, que uma solução efetiva viria de um rabino que estivesse disposto a conversar com o Beit Din, e apresentar a eles as divergências da Takanah que hoje é usada como mera desculpa para que não ocorram conversões no Brasil.

Recordo que fui claro que a decisão de rabinos ortodoxos de não executar a conversão é oriunda em uma Takanah direcionada especificamente aos rabinos da Argentina!

Essa “Takanah” os proíbem de realizar conversões, pois no passado pouco distante, muitos rabinos arbitrariamente realizaram conversões a toque de caixa, visando validar mulheres para casamentos…

O que não difere em absolutamente nada do judaísmo Conservador/Reformista que faz exatamente a mesma coisa aqui mesmo no Brasil, para solucionar os casamentos mistos que dia a dia aumentam dentro do movimento conservador/Reformista.

Por conta de tal episódio entre os rabinos da Argentina é que foi emitido a Takanah, orientando a não realizar tais conversões na Argentina!

Sob a desculpa de serem proibidos de realizar conversões ortodoxas no Brasil, seguiram a determinação que era para a Argentina, como se fosse para toda a América Latina.

E pior, seguiram tão rigidamente essas coisas como se fosse uma lei… mas é na verdade uma “Takanah”.

Recordo que o “popular” rabino arrogantemente perguntou se eu sabia o que era a “Takanah”…

E eu então expliquei a ele o significado… afinal, uma Takanah, significa reparar ou corrigir, é uma regra não relacionada às leis da Torah e que foi criada pelos rabinos visando “supostamente” o bem estar público,

Não sei se ele ficou bravo por eu saber o significado disso, ou por eu estar falando com ele sobre como realizar atos que realmente colaborem com a situação dos descendentes de Anussim/Criptojudeus…

Shavei Israel  em hebraico: שבי ישראל‎, Israel Regressa –  é uma organização Judia sediada em Israel que quer alcançar Resultado de imagem para shaveidescendentes e supostos descendentes de Judeus à volta do Mundo e tem por meta fortalecer a ligação deles com Israel e o povo Judeu.

Fundada por Michael Freund, ainda com o nome de Amishav (Hebreu para “My People Return”), embora oficialmente as duas sejam organizações distintas nos anos de 1970, Shavei Israel localiza Judeus perdidos e comunidades Judias escondidas e assiste-as com o regressar às suas raízes.

A equipa da organização é composta de acadêmicos, educadores e figuras rabínicas.

Apesar desta aparente respeitabilidade da organização e dos seus objetivos, tem sido criticada de usar grupos não realmente Hebraicos para povoar regiões disputadas pelos Árabes, de forçar os novos convertidos a seguir uma versão do Judaísmo e da cultura judia ligada com os Asquenazis sobre a dos seus antepassados.

A Shavei Israel é ativa em nove países diferentes com uma variedade de comunidades, mais notáveis sendo os Bnei Menashe do nordeste da Índia, que eles defendem são descendentes de uma das Dez Tribos Perdidas de Israel.

Imagem relacionada

A Shavei Israel está também extensivamente envolvida com as comunidades emergentes em Espanha, Portugal, América do Sul e Central, buscando pessoas cujos antepassados Sefárdicos foram forçados a converter ao Catolicismo durante as inquisições Espanhola e Portuguesa nessas terras.

Entretanto a Shavei tem publicamente suas atividades junto ao Brasil proibidas pelo Conselho Rabinico do Estado de S.Paulo.

Abaixo uma carta emitida pelo Conselho Rabínico do Estado de S.Paulo proibindo atuação da Shavei junto a Anussim brasileiros, impossibilitando assim sua conversão.
Nenhum texto alternativo automático disponível.

Chego a pensar que ele não imaginava que eu tivesse tal conhecimento…

Afinal, eu, um simples judeu de origem Sefaradi, seguidor do (na época) do caraísmo… quem era eu para apontar algum caminho a ele, um rabino…. acho que foi por conta disso que ele simplesmente me bloqueou.

Ou seja, da minha parte sempre tive admiração pelo trabalho dele, e sempre compartilhei alguns de seus videos…

Mas eu sempre soube que o que ele propõe não tem funcionalidade efetiva.

Ou seja, não resolve a questão dos descendentes de anussim/criptojudeus também chamados de marranos!

Seria mais bonito o rabino admitir o que aconteceu, pois, ao me bloquear, ele simplesmente demonstrou que o discurso do “DIALOGO INTER-RELIGIOSO” é apenas discurso, não tem qualquer prática quando mais se precisa dele.

Eu simplesmente falo de medidas efetivas… pois na verdade a questão é muito mais “jurídica” (ou legal) do que se imagina.

Talvez ele fugiu da conversa comigo por estar ciente do fato de que para Judeus Ortodoxos outras correntes judaicas não são parte do verdadeiro judaísmo.

O que eu sei, é que o famoso discurso do “chove não molha” ainda se perpetua, sem que absolutamente ninguém tenha procurado o Beit Din para validar outros caminhos e para assumir que a Takana… ou seja… ele não chegará a lugar algum com isso tudo… apenas terá seguidores dele que continuarão sendo “não judeus”.

Quero aproveitar para lembrar que a Takanah é diferente de uma Guezerah nos ordena nem mesmo manipular um instrumento para realizar um trabalho proibido.

Podemos citar como exemplo segurar uma caneta, dinheiro, ferramentas, etc., afinal… alguém segurando algum destes instrumentos, poderia esquecer que está no Shabat e fazer algum trabalho proibido.

Portanto uma Takanah , que significa reparar ou corrigir, é uma regra não relacionada às leis da Torah e que foi criada pelos rabinos para o bem estar público, vamos a um pequeno exemplo:

A tradição rabínica ensina que a prática da leitura pública da Torah aos sábados pela manhã, segundas e quintas-feiras, foi instituída por Moisés.

Mas o Talmud (Bava Kamma 82a) ensina que na época do Segundo Templo, Ezra acrescentou esta leitura aos sábados à tarde, além de instituir que 3 pessoas fossem chamadas à Torah para serem lidos um total de, pelo menos, 10 versículos.

Isto, então, é uma Takanah instituída por Ezra.

E inclusive algumas Takanah variam de comunidade para comunidade.

Vejam…. no ano 1.000 da era comum, o rabino askenazi Gerson Meor Ha-Gola instituiu uma Takanah proibindo a poligamia, prática esta claramente permitida pela Torah e pelo Talmud.

Esta Takanah foi aceita pelos judeus askenazi, que viviam em países cristãos onde a poligamia não era permitida, mas não foi aceita pelos judeus sefaradi, que viviam em países muçulmanos, onde a poligamia era permitida.

Ora… amigos… se uma Takanah pode então ser recusada!

Logo… cabe a um rabino a humildade de ir a frente ao Beit Din e fazer uso dessa e de outros argumentos para simplesmente colocar a Takanah em seu devido lugar…

Ou seja…

Não queremos mudar a Takanah, em absoluto!

Não se trata do caso de anular um “Takanah”!

Mas de que ela seja realmente cumprida em sua verdadeira e real abrangência… ou seja:

Que a proibição de conversões e retorno ao judaísmo seja executada junto aos argentinos, afinal, ela foi escrita especificamente para eles!

Que se cumpra então a “Takanah” aos argentinos!

Isso não foi dado aos Brasileiros ou ao restante da América Latina!

Portanto não há qualquer argumento com fundamento para que o Beit Din no Brasil não realize conversões ou retornos oficialmente ao judaísmo!

Foi isso que falei a ele amigos.

Um pouco de humildade o fará estabelecer novamente contato comigo.

Lembrando que todo esse episódio descrito por mim, é hoje relembrado em minha memória pelo simples fato de que não existe nenhuma medida real e efetiva tomada em direção a essa grande massa de brasileiros cujo coração é na verdade “Israelita”.

Quero aproveitar para dizer que já declarei minha prática religiosa Israelita Samaritana e portanto, não tenho pessoalmente interesse ou benefício algum com o destino dos descendentes de anussim/criptojudeus também chamados de marranos.

Mesmo assim me sensibilizo com os milhares de descendentes de anussim/criptojudeus ou seja, descendentes de israelitas que estão esquecidos e ignorados pelo judaísmo hoje no Brasil.

São nossos irmãos, querem seguir a Torá e voltar para fé de seus ancestrais…

Sempre terão meu apoio, quer estes rabinos queiram, quer não queiram.

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